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O Desenho Na Parede Azul


A menina de vestido rosa com bolinhas amarelas acordava cedo todos as quartas-feiras para ir a aula de teatro, dizia que as aulas eram calmaria para a sua mente conturbada, havia dias que chorava e ria mas nunca chorava de tanto rir, suas tristezas vinham carregadas de desenhos lindos que feitos numa folha branca davam cor ao dia da professora que usava roupas pretas e um meio sorriso no rosto.

Um certo dia a menina desenhou o balão que era transparente com fio de fada e brilhava, o balão brilhou na folha que era verde, na verdade era um post it e a aula era de teoria pois naquele dia, a menina de vestido rosa com bolinhas amarelas não iria brincar, não iria jogar, muito menos correr pelo pátio. As aulas de teoria se baseavam em não haver uma teoria, eram desenhos livres que contavam histórias e as narrativas partiam dela e de seus colegas da turma do teatro.

Na roda de conversa a menina pouco ria, muito falava e se posicionava como uma grande mulher, mas era apenas uma criança que queria ser adulta para amenizar suas frustrações em casa. Era quarta-feira e a menina não sorriu, não chorou, muito menos usou o vestido rosa com bolinhas amarelas, estava triste e contou sobre o seu balão do desenho construído durante a aula de teoria que voou. Seus amigos sem entender, olhava com os olhos esbugalhados e acreditava que a menina estivesse maluca, pois balões de papel não voam.

Irritada ela grita e se despede da tristeza, diz com os olhos cheios de lagrimas que o desenho era algo bobo, que balões em papel realmente não voam e que o balão que voava naquele desenhou se despediu dela na noite do dia 12 de outubro. E então ela parou, olhou para os colegas e decidiu que não contaria a sua história, a professora insistiu em saber como o balão voou até brincou para descontrair o clima pesado da aula e sorriu, isso mesmo, a professora de meio sorriso acabou de sorrir e disse a menina que tudo bem o balão ter ido embora, afinal os balões também partem e que quando não voam eles também podem explodir, uma hora ou outra ele iria partir.

A menina se acalmou, os olhos brilhavam e já não chorava mais quando retornou a contar que o balão voou com o descuido que teve em abrir a mão e solta-lo por 3 segundos para pegar sua presilha que havia caído no chão, foi preciso apenas 3 segundos para que ele pegasse voou e se despedisse da menina de vestido rosa com bolinhas amarelas.

O desenho havia ficado significativo pra professora de meio sorriso, pois amava balões e um dia pensou que se pudesse ser algo seria um balão daqueles grandes e coloridos que enfeitam festas e deixa tudo mais bonito. O desenho foi parar na parede azul do corredor que também era azul e foi pregado com uma fita transparente junto com tantos outros desenhos feitos em post it, a menina já entendia que o balão não voltaria e agora o desenho era a sua única lembrança.


Escrito pela instrutora Raquel Elias.

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